quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mariana.

As vezes sou teu mar... as vezes sou teu chão
As vezes sou tua bússola... as vezes perdição
As vezes selvagem como mata fechada
As vezes mansa como um final de tarde
As vezes lua cheia e maré alta
Que invade e tudo arrasta
As vezes só areia branca que acariciam os pés
As vezes molhada como uma canção de amor
Gotas de notas musicais que exalam da paixão
As vezes um enxame de vagalumes repleta de luz
As vezes escuridão da noite e solidão
As vezes exata como as pontas de uma mandala
As vezes satélite suspenso no céu
As vezes mulher que tudo quer...
As vezes menina... as vezes serpente...
As vezes vinho e sexo... as vezes café e colo...
As vezes silêncio... as vezes arrastão...
As vezes sozinha... as vezes segurando a sua mão...
As vezes beijos... Outras vezes também...
As vezes Mariana... outra vezes O Mar e Ana...
Sou o teu melhor poema... sou o teu amor.


(Mariana de Almeida e Ricardo Ruiz).

Escravo.

"Que eu saiba a vida é minha!
  Que eu saiba a casa é minha!
  Que eu saiba o carro é meu!
  Que eu saiba eu sou livre!
  Que eu saiba eu faço o que quiser!...
  Que eu saiba eu sei de tudo!
  Que eu saiba eu sou o máximo!
  Que eu saiba eu sou feliz!"



- Sorry, perdeu Man!
  Que eu saiba tu não tá ligado
  Que não passas de mais um escravo!


(Mariana de Almeida).

Aline.

Quem a via desfilando por aí, estereótipo perfeito de menina feliz, bonitinha e arrumadinha como diziam, cabelos e olhos cor de mel e uma íris que irradiava cores e dores sem nomes... Essa gente do mundo que adora perguntas idiotas do tipo: "Mas por que você está triste?" Ou "Por que uma moça tão bonita como você está tão tristinha?". Esse tipo de pergunta que acelera e muito o desejo de morrer definitivamentea, pois, a humanidade é uma filha da puta cínica e canalha e tudo o que se esperar dela resultará em sofrimento. Então... faça você mesmo o seu mundo e suas regras ou morra!
Aline ainda não sabia reagir, a sua educação castradora, religiosa e machista a ensinaram calar diante de todo tipo de sofrimento. Ela era capaz de fazer dietas mirabolantes e ficar dias sem comer, adorava se desafiar perante o espelho e quando comia algo prazeiroso demais corria ao banheiro e metia dois dedos no fundo da garganta e vomitava até sua bílis, o ritual nojento e sofrido lhe dava algum prazer por ter vencido e vencer é bom, vencer uma competição contra si mesmo é orgasmático, é como uma trepada fenomenal, é como uma carreira de coca da boa.
Aline era bulímica, anêmica, depressiva e mais... se auto mutilava! Chegava a criar desenhos na sua pele com os cortes que fazia. Tudo começou quando se cortou com a gilete no banho enquanto depilava sua perna longa e magra, o sangue jorrava pelo piso do box e escorria pelo ralo, foi uma dor agradável para ela e assim começaram os primeiros episódios de cortes. Ela preferia assim, passava horas trancada no banheiro se machucando enquanto as outras garotas da sua idade estavam fazendo compras em shoppings centers, namorando, ouvindo bandas ou fazedo qualquer outra coisa mais interessante. Aline se odiava, se achava burra e esquisita demais para ser uma garota normal e abrir a porta do quarto e da casa para finalmente sair em busca da sua felicidade.
Aline não esquecia o episódio em que foi estuprada pelo primo aos oito anos de idade e mais de uma vez... A família ao descobrir preferiu evitar um escândalo, então mudaram-se de cidade para se afastar do criminoso e fazer com que Aline esquecesse o inesquecível.
Com os anos a família parecia ter apagado da memória o estupro da Aline, mas ela não esqueceu nem um só dia o horror vivido, a lembrança da cara, dos dentes amarelados e dos olhos insanos do primo que a deflorou sem pena... Quanto mais ela chorava, mais ele gostava.
Psicopatas estão aí aos montes, hoje o primo é um advogado formado e bem sucedido. Muito bem vestido, carro importado, bons contatos e muitas mulheres atrás dele, mas o que ninguém sabe é que ele é um pervertido, um pedófilo e um excelente ator perante a sociedade.
Os pais de Aline não sabiam mais o que fazer para ela ter uma vida normal, levaram ao psicólogo milhares de vezes, colocaram para fazer aula de ballet, violão, natação, canto, idiomas e nada, Aline desistia de tudo, odiava a si mesmo e aos demais. Até que um dia brincando de desenhar com os cortes na perna, acabou perfurando uma veia safena e perdeu muito sangue.
Aline foi levada às pressas para o pronto socorro mais próximo e de lá para o hospital psiquiátrico onde vive há mais de um ano e sem nenhuma previsão de alta.
Aline morreu aos oito anos de idade quando foi violentada e ameaçada por alguém da sua própria família, o que sobrou foi um corpo pesado demais para se carregar. Hoje, aos 17 anos o corpo ainda respira, enquanto o primo desfila o homem de bem e de sucesso que se tornou, homem de prestígio em nossa sociedade.


(Mariana de Almeida).


#Estupro No Brasil acontece um estupro a casa onze minutos!!!! (Fonte: Carta Capital).

sexta-feira, 31 de março de 2017

Tela.

Quando você descobre que é a tela de alguém...
Quando seus olhos estão em tantos lugares desse mundo, mas sempre olhando para o mesmo horizonte...
Utopia sem fim, essa da gente querer ser feliz.

(Mariana de Almeida).




Dói.



Dói o último trago
Dói o último silêncio
Dói o último adeus...
Que anuncia seu fim;
Dói enterrar os vivos
Adubar a terra com o que se foi;
Dói a chuva que molha
Para germinar o que virá;
Como dói o último pôr do sol
Antes da escuridão da noite
Para de novo, o novo emergir.



( Poema: Mariana de Almeida).

domingo, 26 de março de 2017

Luta de luto.



Viva o povo brasileiro! 
Darcy Ribeiro... 
A Pedagogia do Oprimido
Que nos libertaria
Como Paulo Freire queria
As veias abertas da América Latina 
Ainda sangram por justiça 
Nem Galeano
Nem Sérgio Buarque de Hollanda
Saberia dos nossos tristes enganos
Ignorância e fome matam o homem
Nesse solo de almas secas
Que governam nosso país 
Em troca de algum dinheiro 
Que não compra a beleza
A dor não se terceiriza
A luta está de luto!


quinta-feira, 16 de março de 2017

Vida.

Eu queria a escolha certa
Eu queria nunca mais errar
Eu queria amar uma pessoa
Decente socialmente
Eu queria a ordem ao caos
Eu queria a casa própria
Ao aluguel incerto de cada mês
Eu queria a dispensa cheia
Ao perambular por restaurantes
Eu queria os sucos detox
O corpo sarado
A vida saudável
Aos bares cheios de dor
Eu queria um cartão Gold Plus
Ao viver devendo minha vida ao banco
Eu queria a tranquilidade dos dias programados
Ao tsunami que são meus dias inesperados
Eu queria uma vida de comercial de margarina
Todos sorrindo juntos no café da manhã
O sol calmo lá fora
A casa limpa
As crianças felizes
Nossos dias de perfeito tédio.
Mas o que eu tenho, 24h por dia,
É o relógio atrasado me chamando
A vida uivando lá fora
E os lençóis da cama desarrumados
Gozando por nós.


(Mariana de Almeida).