quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coração

Sentir seu coração
E não poder alcançá-lo
Sentir seu calor
E não poder aquecer-me
Saber de você
Perdido na vastidão da minha dor
Desejar você
Na minha mais louca fantasia
Toda alegria de um amor não vivido
Toda alegria de uma amor não vivido
Vivido seria transformado em dor?
Diga-me
Venderíamos todo nosso amor por nada?
Diga-me
Preciso saber agora
Pois, depois, será tarde demais
Para salvar meu coração de mais uma desilusão.



Mariana Lima de Almeida.
15/12/2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dia-dia na real....

Tenho um emprego
Que tantos brasileiros pobres
Sonham e almejam
Estou cansada, estou cansada
De trabalhar todos os dias
E o dinheiro nunca dar
Porque o bebê fica doente
A internet está sempre lenta
Só o básico na dispensa
Só um biscoito não sustenta
E o chuveiro não esquenta...
O cabelo cresce
A unha quebra
O dente dói
E quem come arroz e feijão
Espera sempre a sobremesa
E quando ela não vem
As crianças brigam sobre a mesa
E às vezes se deixa de comprar sabão
Só para sobrar mais um tostão
E não ver nosso filho chorão.
Todo mundo só reclama
E até as crianças
Já nascem sem esperança
O virtual é o mundo mais legal
Mas a fome ainda é um troço real
As pessoas estão cansadas
De suas atitudes insensatas
Essa tal modernidade
Que prometia tanta liberdade
Jamais falou com sinceridade
O preço dessa jogada
E hoje todo mundo pelas cidades
só falam: "Ai que saudade..."
Agora só tem carros por todos os lados
Boletos bancários intermináveis
E os homens cada vez mais estressados
Eu jamais quis ser pessimista
Mas vendo tudo aqui de cima
Não vejo mais muitas saídas.

Mariana Lima de Almeida.
03/11/2010.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Imortal.

Desde que minha amada avó faleceu nunca mais a vida foi a mesma para mim.
Eu a amava demais, éramos cúmplices e muito íntimas, dividíamos nossos maiores sonhos e medos, e não fiz por ela tudo que desejaria ter feito, pois, até então, não tinha consciência de quanto a vida é finita e de que algum dia definitivamente não a veria mais, mas para meu espanto esse dia chegou...
Foi numa tarde de terça-feira, depois de uma noite mal dormida, devido seu estado de saúde já bem debilitado... Naquela noite vovó não fez xixi nenhuma vez, ela que sempre teve a mania de fazer xixi várias vezes por noite, levantar para ir ao banheiro de hora em hora, não sei se por ansiedade ou por efeito diurético do seu remédio para hipertensão, mas naquela noite não, estava muito fraca e suas pernas há dois dias foram perdendo as forças, seus passos eram lentos e penosos, e nessa noite ela não trocou mais seus passos sozinha, foi quando então, na hora de dormir, mamãe e eu tivemos a ideia de colocarmos fraldas geriátricas para conter a urina, que tínhamos certeza que ela faria durante a noite e assim ela não precisaria se esforçar para levantar e com dificuldade ir até banheiro, mas que nada, a noite toda sua respiração foi mais intensa, ora mais dificultosa ora mais tranquila, às vezes, chamava por mamãe, ou era sua mãezinha querida do céu ou sua única filha na Terra que a essa altura fora mais que sua mãe, cuidou e zelou por ela com todo amor até seu último suspiro... Para nossa surpresa e temor, naquela manhã mamãe foi correndo verificar se vovó tinha feito xixi, mas não tinha feito uma gota sequer, foi aí que recebemos nossa primeira intuição de que as coisas não iriam bem mesmo e que a fatalidade nos rondava, vovó não falou nenhuma palavra, com esforço abriu seus olhos pequeninos, nos viu e sorriu, um sorriso lindo de quem se despede de uma vida, cuja missão fora já cumprida, seu semblante era sereno e não de dor, vovó voltou a dormir, sua respiração ainda era oscilante, ora dificultosa, ora tranquila...
Confesso que foi difícil encarar mamãe nos olhos e tentar dizer o que eu pensava, meu deus, eu pensava milhões de coisas, o que poderíamos fazer, chamar uma ambulância, levá-la ao hospital mais uma vez, deixá-la morrer em casa, amparar minha mãe, dizer o que realmente aconteceria para minha mãe, mas, não tive coragem, apenas me calei, não tive coragem de confessar nem a mim mesma que vovó partiria e nos deixaria aqui nessa vida... Então, como num ritual primitivo, como num impulso instintivo de nossos ancestrais, nos reunimos em torno da cama de vovó, mamãe segurou suas mãos ainda quentes, eu segurei as mãos de mamãe e minha filha que como um anjo segurou às minhas, e juntas em silêncio demos as mãos para vovó sentir nosso apoio e nosso amor, nada mais poderíamos dar para ela.
Vovó continuou dormindo por mais algumas horas e dormindo vovó partiu para um outro mundo que ainda desconhecemos, um mundo imaterial, sem corpo, sem peso, talvez sem dor.
Mas se o amor for mesmo imortal minha Avó Magali, morrerei feliz por saber que nada foi em vão, que nossos sentimentos estarão eternamente interligados por alguma força maior que ainda desconheço, morrerei feliz por saber que estivemos, estamos e estaremos juntas, ainda, mais uma vez.
Eu te amo!



26/07/2010.
Mariana Lima de Almeida, sua neta.

sábado, 31 de julho de 2010

Nunca mais amar.

E eu que jurei nunca mais amar ninguém nesse mundo.
Eu que sofri tanto, com tanta pena de mim fiquei, jurei nunca mais amar a um alguém.
Às vezes olhava ao meu redor, mas nada demais eu via naqueles moços que eu fitava e feliz eu pensava que daquele mal nunca mais padeceria. Minha cota de amor chegara ao fim, naquele vinte e um de setembro quando pela última vez meus olhos olharam aos seus e como me dói até hoje todo dia vinte e um de qualquer calendário, esse dia deveria ser extinto, do dia vinte saltaríamos para o dia vinte e dois e ninguém se importaria, afinal, é só apenas um dia. Um dia que me custou quase a vida inteira.
Só agora, tempos depois, consigo me lembrar do estrago que aquele amor me causou. Eu ainda era menina e inocente como menina, mas aí você chegou e desarrumou minha casa e minha vida e menina nunca mais eu fui.
Tornei-me mulher, sem saber direito como fazer, eu tentava arrumar a casa e a vida, mas você sempre desorganizado, chegava e destruía. Eu lavava as louças e as roupas, preparava nosso almoço, arrumava a casa o quanto podia, mas você chegava e tudo desarrumava, concordo que às vezes era bom, às vezes gostava de algumas surpresas, quando por exemplo, você chegava e espalhava rosas pela casa inteira e eu te desarrumava toda cama em troca, ah como você gostava...mas logo em seguida já se levantava e me deixava toda atrapalhada, sozinha e desamparada. Numa dessas supresas, você bem se lembra o que aconteceu....fui ficando cansada e deixando a casa de lado, assustada me olhei no espelho e mais assustada fiquei ao imaginar que estava doente, barriga d'água era muito comum nas minhas terras do passado, mas barriga d'água que nada, era barriga de gente, barriga que cresce e depois de nove meses nasce e aparece e nasceu nossa filha Maria Luíza, linda como a lua e tão admirada por ela fiquei que não queria mais nada, nem você nem casa.
Você sempre muito zangado com a bagunça e meu descaso, e eu te odiava e desejava que nunca mais você voltasse, quando se atrasava, por causa das mulheres, bebidas e noitadas, eu bem pensava que bom seria se você nunca mais voltasse, se para sempre ficasse só Maria Luíza e eu...Porém você sempre voltava e mais eu te odiava, coisas de mulher casada.
Mas como todo tormento um dia chega ao fim, foi naquele tal dia vinte e um de setembro que chegou a minha vez, já conformada com a vida que levava, você apareceu no centro da sala, na frente da Maria Luíza, cheio de malas e avisou que daquele dia nós não passaríamos, eu me fingi de durona, dei até risada, suspirei de alegria e coragem, que dó de mim, só ali eu vi que você tinha conseguido me fazer mulher e que menina só Maria Luíza seria.
Passado o torpor da sua audácia, quis te matar, te mataria se tivesse uma arma ali, como eu quis te matar, mas não teve jeito nem esperneio, você levantou suas malas e olhou dentro dos meus olhos, olhou novamente e pela última vez, abriu a porta e saiu.
E depois nem em Maria Luíza eu conseguia pensar, tudo que eu planejava dia e noite era me vingar, vingar, vingar...Mas não me vinguei, só consegui vingar a mim mesma, me culpando pelo seu abandono.
Precisei de muito tempo e afazeres para poder te esquecer e entender como tudo aconteceu, hoje eu sei que você nunca me mereceu, mas foi homem em assumir sua vontade por outra vida, não sei se foi covardia, arrumando as malas e partindo.
Maria Luíza e eu ficamos, passamos as duras penas, mas hoje estamos fortes, ela ainda é uma menina, doce feito mel e linda como uma flor, isso você perdeu.
Eu jurava nunca mais amar ninguém nesse mundo. Eu levava minha vida do jeito que se seguia, era feliz com minha filha, trabalhava e tinha as poucas contas quase sempre em dia, a vida não é fácil.
Vira e mexe Maria vinha e me dizia que não me trocaria por mãe nenhuma dessa vida, coisas ainda de menina. Eu disfarçava, me continha e a noite antes de dormir chorava sob as cobertas escondida. Essa menina me prega cada uma...
Assim o tempo foi passando e milagrosamente fui me curando, as mágoas todas fui perdoando, de você fui esquecendo... Como é bom ser livre de novo.
Mas hoje olhando ao meu redor, fitei alguém que disparou meu coração, e jurei para mim mesma não deixar escapar essa emoção.
Acho que sem querer ressuscitei meu coração.


Mariana Lima de Almeida
29/06/2010.

domingo, 25 de julho de 2010

A difícil vida de quem engorda!

    Existe maior injustiça do que comer e engordar? Mais injustiça ainda quando você come exatamente a mesma quantidade que sua amiga magra come? Só que você engorda e ela não...Isso é injusto! 
O que o metabolismo dela tem quê a mais que o seu? A tireoide dela trabalha mais que a sua ou ela evacua três vezes por dia enquanto você não? Ela mastiga trezentas vezes antes de engolir enquanto você mastiga no máximo três? Ah, deve haver alguma explicação! Como procede essa injustiça? 
Poxa, ela come salgadinhos Chips, biscoitos recheados, detona uma caixa de Bis cada vez que briga com o namorado, bebe litros de coca cola, nunca bebe refrigerantes lights ou leite desnatado e está cada vez mais linda e magra! E você minha amiga gordinha? Comeu saladas e frutas o dia todo, então não resistiu e comeu um único pedaço de chocolate e... Advinha? Engordou mais cem gramas, no mínimo....Isso é injusto!
E na balada então? Ela toma várias cervejas, vodca com energético e você? Fica horas com seu drink esquentando na mão, para evitar de tomar muitos? Alguém pode explicar? Será que entre um copo e outro ela vai ao banheiro, enfia o dedo na garganta, vomita tudo, sai e já pede outro? Não, não pode ser.
No final da noite, ela pára em algum trailer, detona um Super X-Tudo, vai para casa, deita e dorme feliz... Ah que bom seria se com você fosse assim também, mas não é, você chega em casa e toma um copão de água ou prepara um chá verde bem amargo para diminuir a culpa. E assim vai levando a vida sem obter grandes resultados.
Mas, afinal, o que fazer?
Procurar um bom endocrinologista, fazer um hemograma completo, principalmente para ver o TSH, para ver como sua amiga tireoide está funcionando, tomar cascara sagrada, caralluma, agar agar, alcachofra, fucus, centella asiática, quitosana e outros mais, tudo isso só para tentar regularizar seu intestino um pouco preguiçoso. Não esqueça de colar na porta da geladeira todas aquelas mulheres maravilhosas de biquíni que estão estampadas nas capas de revistas de moda e cole também sua foto de biquíni do último verão. Depois disso só falta tomar a fluoxetina ao acordar, a sibutramina antes das refeições e um lexotan inteiro para dormir e claro não esquecer de tomar no mínimo dois litros de água por dia, tarefa bem fácil já que terá tantos comprimidos para engolir, não vai dar nem tempo para sentir fome!
Mas olha lá garota, nada disso funcionará se você não malhar TODOS OS DIAS!
        Fazer uma caminhadinha de uma hora em ritmo acelerado, uma hora de musculação, pelo menos três vezes por semana, rumba e pilates. Afinal emagrecer e ficar flácida não dá! E praticar Ioga pelo menos duas vezes por semana para controlar a ansiedade, meditação para equilibrar a respiração e outras terapias mais. Olha lá hein? Estamos de olho em você!
Tenho certeza que se você não falhar em nenhum desses quesitos, certamente conseguirá perder peso e talvez as unhas, os cabelos, os neurônios, a libido e o tesão de viver, mas não faz mal, o que faz mal é ficar gorda!

Assinado: Sociedade.

20/07/2010.
Mariana Lima de Almeida.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Minha poesia é de forma livre,
Não é de forma fixa,
Não é soneto,
Minha poesia,
é aquilo que nem eu sei.



23/07/2010.
Mariana lima de Almeida

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Reflexões sobre a história da mulher...

Processos de exclusão e inclusão
dos valores
femininos na sociedade



Durante muito tempo a história foi escrita sob a ótica masculina e pela classe hegemônica, portanto esse tipo de estudo produziu um material restrito, refletindo apenas sobre a figura do homem como sujeito universal. Suas relações expressavam somente uma versão da história.

A figura da mulher raramente era apresentada pelos historiadores, só aparecia marginalmente na história. Margareth Rago defende que “todo discurso sobre temas clássicos como a abolição da escravatura, a imigração européia para o Brasil, a industrialização, ou o movimento operário, evocava imagens da participação de homens robustos, brancos ou negros, e jamais de mulheres capazes de merecerem uma maior atenção”.

Surge a pergunta: e a mulher onde estava durante todo esse tempo? Estava confinada ao espaço da vida privada, envolvida no cuidado com o lar, na educação dos filhos, na atenção com o marido; ocupada demais para ser percebida pela história, que até então se limitava em tratar da vida pública, domínio quase que exclusivo dos homens.

Na perspectiva da historiadora Joan Scott, somente nas últimas duas décadas é que a “história das mulheres” se definiu. Segundo Margareth Rago, a política feminista dos anos 60 foi o ponto de partida. As integrantes do movimento reclamavam uma história onde houvesse heroínas, demonstrando a atuação das mulheres na sociedade. Lutavam também para que a opressão que as sufocava fosse denunciada pela história.

Segundo Joan Scott, tanto profissões, quanto organizações profissionais são hierárquicas. Ou seja, incluem e excluem indivíduos da qualidade de membros, segundo seus próprios critérios; aqueles já profissionais atuantes se reservam o direito de julgar aqueles que ainda estão fora do campo profissional. “As mulheres, os negros, os judeus, os católicos e os não-cavalheiros foram sistematicamente subapresentados durante anos”.

Para Margareth Rago, o movimento feminista, anunciando suas reivindicações à sociedade, foi o princípio da inclusão das mulheres no espaço público do mercado de trabalho. Com a conquista desse novo espaço na sociedade elas passaram a ser notadas pelos historiadores.

Scott menciona o dilema da diferença homem-mulher, de acordo com Martha Minow, que explica que o dilema se dá pela própria construção da linguagem, onde o termo universal usado para se referir ao ser humano é “Homem”. É possível ainda perceber que a discriminação com a mulher está registrada na própria língua portuguesa, visto que a língua acaba por refletir a cultura do povo através de junções de características comuns.

De acordo com Maria Eunice Figueiredo, o significado do termo Mulher encontrado no dicionário, é um tanto discriminatório. Já em relação ao termo homem, não se pode dizer o mesmo.

Guedes afirma, citando Scott, que a mulher está fora do inominável, a lingüística está construída no masculino. De acordo com Scott: “... reivindicar a importância das mulheres na história significa necessariamente ir contra as definições de história e seus agentes já estabelecidos como verdadeiros ou pelo menos como reflexões acuradas sobre o que aconteceu (...) no passado”.

O domínio que os historiadores objetivavam ter do passado era parcial, já que, pelo que se pode ver na maioria das produções historiográficas, somente o homem aparecia enquanto sujeito da história. Através dos estudos realizados, eles privilegiavam apenas uma versão da história, que retratava a vida pública, esfera na qual a mulher por muito tempo não existiu.

Nesse sentido, existe ainda o problema das fontes. A historiadora Michele Perrot afirma: “há uma carência de pistas no domínio das fontes com as quais se nutre preferencialmente o historiador, devido à deficiência dos registros primários”. Ou seja, a autora explica que aqueles a quem cabia registrar a história, no caso, homens administradores, policiais, juízes e padres, efetuaram raras evidências da mulher na história.

Perrot cita exemplos de fontes onde é possível encontrar informações distintas para reconstituir a história das mulheres; além das fotografias pode-se buscar informações nos arquivos familiares, atas e outros documentos privados: “... nos quais preservam os anais do lar, as correspondências familiares cujos escribas habituais são elas, os diários íntimos cujo emprego é recomendado às jovens solteiras pelos confessores e, mais tarde pelos pedagogos, como uma forma de controle sobre si e que constituem um refúgio de escritos de mulheres, domínio cuja imensidão tudo atesta”.

Esses registros, porém, são comumente destruídos pela família e de difícil acesso, uma vez que expõem a vida privada da família. Durante a pesquisa que busca fontes para se fundamentar, pode-se recorrer às fontes orais, no caso em análise os filhos dos imigrantes judeus.

A história oral proporciona às mulheres, assim como a todos que foram silenciados pela história, a oportunidade de ganharem voz, saindo do anonimato a que foram confinados durante séculos. Contudo, não é incomum que os historiadores que realizam pesquisas enfocando a temática da mulher, ou seja, uma história de mulheres, sofram agressões morais e tentativas de relegarem seu trabalho, acusando-o de não histórico.

Existem muitas produções historiográficas que apresentam a mulher como tema. Além da obra de Margareth Rago, cita-se a de Sasffioti - A mulher na História; a de Hahner - A mulher brasileira e suas lutas sociais e políticas; e outras.

As obras, segundo Rago, vão revelar a preocupação em evidenciar a presença da mulher como ser atuante da década de 80. Estas colaboraram: “...reinventando seu cotidiano, criando estratégias informais de sobrevivência, elaborando formas multifacetadas de resistência à dominação masculina e classista... confere-se um destaque particular a sua situação como sujeito histórico, e portanto, a sua capacidade de luta e de participação na transformação nas condições de vida”.

Tomando por base a ênfase que a autora tem dado ao período da infância, não é de se espantar com a visão contraditória que ambos têm do casamento. São criados de maneira oposta e depois a sociedade quer que construam uma vida em comum. Depois a sociedade critica a mulher, atribuindo-lhe fama de má motorista, ou ao homem por não desempenhar bem o papel de pai.

Essa situação começou a mudar com a mulher conquistando seu espaço na vida pública. Ela passou a ter mais autonomia na escolha de seu futuro. A liberdade vem como o intuito de preencher o sentimento de segurança que tanto se busca.

Acredito que o problema é que a mulher jamais foi treinada para a liberdade, e sim para a dependência. Ela se depara com a negação de tudo que acreditava ser correto e a mudança de seu comportamento se dá lenta e gradativa, como qualquer mudança. É comprovado cientificamente que a mulher não é menos capaz que o homem, possuindo a mesma capacidade de aprender e produzir.

De acordo com os estudos psiquiátricos de Alexandra Symonds, citada por Colette Dowling, a dependência é um fenômeno que ataca basicamente mulheres. Presume-se que é fruto da educação feminina, onde as mulheres são ensinadas a serem dependentes, o que torna comum essa dependência em bons ou seguros casamentos, com um marido que lhe dê segurança psicológica e financeira. Essa atitude é conseqüência das condições impostas pela própria sociedade.

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Flat James de Souza Martins é pastor da IPRB desde 1996
e docente no Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte, PR
Artigo publicado no Jornal Aleluia de fevereiro de 2008, p. 11.

terça-feira, 20 de julho de 2010



EXISTE FLOR MAIS LINDA QUE O GIRASSOL?

Ser mulher.

Gosto de ser mulher;
Das coisas simples de ser mulher;
Um livro novo para ainda começar;
Uma música a despertar e me emocionar;
Um olhar que me lance chamas para eu ainda acreditar;
Um almoço de domingo, uma garrafa de vinho tinto;
Realizar meu trabalho e me sentir capaz;
Poder ter meus segredos, meus sonhos e minhas coisas;
Ficar por horas sozinha na cama a sonhar;
Pensar em você, imaginar você e ainda querer;
Rir de mim, das besteiras que já fiz;
Receber os filhos quando chegam da escola;
Dar banho, secar e depois os cabelos escovar;
Olhar os cadernos, estudar junto, pegar no pé;
Assistir TV, disputar o computador, desligar o videogame;
Depois beijá-los e abraçá-los sem ter fim;
O que mais eu poderia querer para mim?
A vida poderia ser bem mais difícil;
Não posso dar-me o direito de reclamar;
Sou feliz, posso ser mais, se me dedicar;
Se souber o que quero, se souber para onde vou;
Sei que também sofro, pois humana eu sou;
Passo muitas noites digladiando com meus inimigos;
Meus maiores medos, futuro, saúde, sucesso;
Até quando conseguirei vencê-los?
Mas deixo algumas missões para meu amigo Tempo;
Ele é meu chefe superior, ele é meu líder;
Quando não posso mais, ele é quem pode;
E vou vivendo assim meu dia-dia;
Enquanto isso, vivo a dor e a delícia de ser uma mulher;
A delícia de amar, amar, amar e infinitamente amar.



02/07/2010.
Mariana Lima de Almeida.