sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Viver.

E me disseram que isso era viver
Então assim estou tentando fazer
Atravessar rios, mares e paisagens
Só para aprender a viver

Conhecer outras calçadas do mundo
Falar novas línguas para tentar
Enfim me comunicar

Atravessar oceanos, mergulhar
No mundo para outras bocas beijar
Deitar em sua cama e trocar
Nossos DNAs para então eu despertar

Nascer novamente
Sem as paredes de nenhum ventre
Sem as correntes de ódios
que atravessam minhas veias
Mil séculos antes dos meus sonhos

Me disseram que isso era viver
E que assim eu deveria fazer
Partir, partir e partir
E mil vezes partir
Até um dia poder voltar
Inteira para o meu lugar
Sem nenhuma dor ao olhar para trás

Mariana Lima de Almeida

Sozinha.

Tudo cansa, tudo dói
A falida existência sem glorificações
A crueza da realidade morta
O ouro, as cores, os amores
Escaparam-me por entre os dedos
O que restou foi a crueza,
A crueldade das horas nuas
Sem fantasia sem alegorias
Sem prazo para a grande vitória
Não haverá vitória nessa vida
Quem podia me ajudar não quis
Quem quis me ajudar, na verdade nem podia
Eu fiquei sozinha, tão sozinha
Sozinha no mundo, sozinha na América
Sozinha no meu quarto de paredes imaginárias
Sozinha em mim mesma,
Que falta senti...
Que falta senti quando lembrei de mim
Uma menina que um dia fui e parti
Para onde nunca mais podemos voltar.


Mariana Lima de Almeida
20/09/2013.