quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Ser mulher.



Gosto de ser mulher;
Das coisas simples de ser mulher;
Um livro novo para ainda começar;
Uma música a despertar e me emocionar;
Um olhar que me lance chamas para eu ainda acreditar;
Um almoço de domingo, uma garrafa de vinho tinto;
Realizar meu trabalho e me sentir capaz;
Poder ter meus segredos, meus sonhos e minhas coisas;
Ficar por horas sozinha na cama a sonhar;
Pensar em você, imaginar você e ainda querer;
Rir de mim, das besteiras que já fiz;
Receber os filhos quando chegam da escola;
Dar banho, secar e depois os cabelos escovar;
Olhar os cadernos, estudar junto, pegar no pé;
Assistir TV, disputar o computador, desligar o videogame;
Depois beijá-los e abraçá-los sem ter fim;
O que mais eu poderia querer para mim?
A vida poderia ser bem mais difícil;
Não posso dar-me o direito de reclamar;
Sou feliz, posso ser mais, se me dedicar;
Se souber o que quero, se souber para onde vou;
Sei que também sofro, pois humana eu sou;
Passo muitas noites digladiando com meus inimigos;
Meus maiores medos, futuro, saúde, sucesso;
Até quando conseguirei vencê-los?
Mas deixo algumas missões para meu amigo Tempo;
Ele é meu chefe superior, ele é meu líder;
Quando não posso mais, ele é quem pode;
E vou vivendo assim meu dia-dia;
Enquanto isso, vivo a dor e a delícia de ser uma mulher;
A delícia de amar, amar, amar e infinitamente amar.

 02/07/2010.
Mariana Lima de Almeida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Almoço de família.

Estava lançada a grande guerra para Adley, assumir suas posições políticas e feministas para sua família tradicional, burguesa e careta. A guerra seria impor respeito as suas escolhas, afinal já completara 33 anos, estava no auge da sua liberdade, criatividade, sexualidade e mil ideias que revolucionavam sua maneira de entender o mundo e viver a vida. A vida era uma experiência única, sem direito a volta, era um bilhete para essa grande montanha russa.
A família questionava Adley sobre os homens, os namoros, sobre casamento, era sempre aquela mesma ladainha burguesa, até que num almoço de família onde era comemorado o aniversário da mãe de Adley, ela declarou: - "Casamento para mim é loteria, aquele sonho hollywoodiano de você conhecer aquela pessoa super linda, gostosa, bom caráter, evoluída, instruída, cheia de cultura, histórias boas para contar e ainda trabalhador, que topa todas com você e ótimo de cama! Ou seja é mais difícil que loteria, é utopia mesmo...hahahaha"
Seus pais se entreolharam com ar de reprovação. Adley indagou: -"Não estou certa? É verdade ou não? Hipocrisia total esse lance de casaram e foram felizes para sempre, bom seria".
Mas o pai imediatamente respondeu: -"Isso porque você é uma moça egoísta e infantil! Formar uma família é a coisa mais nobre que um homem pode fazer. Ou por acaso o certo agora é ser feliz sozinho? Cada noite em uma cama diferente? Com homens que nunca a valorizarão? Que nunca vão querer te assumir?"
Adley responde: "Mas eu é que não quero assumir jamais um homem que pense assim pai! Muito melhor morar com uma amiga, dividimos as contas, cada uma tem seu espaço, uma respeitar a individualidade da outra, uma apoia a outra e vivemos em paz assim. Sabemos que não ganharemos nessa loteria do amor perfeito pai".
O pai esbravejou: -"Imagina o que os vizinhos devem comentar, né? Olha as solteironas aí, as sapatonas! É isso que eles devem falar!"
-"Papai o que os vizinhos pensam ou imaginam não é problema meu! Eu não teria problema nenhum em assumir estar apaixonada e vivendo com uma mulher, mas não é o que está acontecendo! Somos amigas e dividimos um apartamento, trabalhamos e pagamos nossas contas, somos livres e talvez isso incomode as pessoas, não escolhemos viver em uma prisão machista, não queremos aprovação ou não de um homem, não queremos posar de esposa perfeita , mãe perfeita e brincar de casinha para ser sempre cobrada e quase nunca valorizada" respondeu Adley já chateada com o tom da conversa.
-"Tudo para você é hipocrisia, minha vida não foi uma hipocrisia nem a da sua mãe ou foi? Ou eu sou o único que não sabe a grande merda que viveu? Será que eu fui tão desgraçado assim? Será que minha mulher me odeia e eu não sei? Tudo que vivi, acreditei e planejei não passou de mentira? Os filhos crescem e mostram a grande merda que foi todos os sacrifícios feitos....essa é boa...geração sabe tudo. Não sabem as crises que passamos, os medos que enfrentamos, as inflações, o desemprego, o medo de faltar algo para você e seus irmãos. Agora não tenho nem o direito de ter um neto? Por que? Porque a maldita geração Y não pensa em nada a não ser no prazer de agora, só agora, e foda-se tudo. Saiba que a velhice vai chegar para vocês também e se sua amiga de quarto não estiver mais aqui? Quem cuidará de você? Quem segurará sua mão? Eu e sua mãe já teremos fechado os olhos graças a Deus! Quem cuidará de você velha e senil?" E levantou-se da mesa em direção à varanda onde costumava fumar seu charuto para espairecer enquanto olhava a cidade a sua frente.
Adley se sentia angustiada, sempre que era dia de almoçar na casa dos pais era atacada pela ansiedade, mãos suadas, tensão, respiração ofegante e um desejo imenso de engolir a comida e sair dali. Ela amava seus pais, entendia a história deles e sabia que essa mesma história não cabia para ela.
Mexia no celular para a hora passar e desejava um cigarro, mas tinha esquecido no carro, pensou em descer apanhar, mas decidiu esperar e fumar depois, afinal era outro assunto chato, responder as mesmas perguntas de quando ela iria parar de fumar.
No final, após a sobremesa, os nervos se acalmavam, o irmão sempre intervinha com alguma notícia sobre o futebol, a mãe comentava sobre algumas medidas do governo, tomavam um licor e aos poucos o clima familiar voltava. Já combinavam um novo almoço onde certamente novos assuntos seriam discutidos e quem sabe compreendido por todos.


(Mariana Lima de Almeida).









Amarelo.



Amarelo é caramelo
Amarelo luz do sol
Amarelo cor do tom
Amarelo cor do som
Amarelo gira o sol
Amarelo girassol
Amarelo
Amar é elo.