quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Tempos de indelicadeza.

Tempos de indelicadeza ferem a alma dos sensíveis, dos que ainda pertencem à raça humana e não aos que se tornaram subproduto do meio violento, caótico e midiático em que reproduzem o mal de forma espontânea e quase natural.
Tempos de indelicadeza fecham os olhos para as mazelas sociais, as crianças nos faróis , as mães viciadas, os pais desaparecidos, os doentes abandonados nas calçadas do mundo, os famintos, os que fugiram de suas pátrias, os que morrem de frio nas madrugadas e aos que choram sozinhos no escuro.
A delicadeza se tornou qualidade rara, a qual só os que possuem olhos bonitos ainda possuem, o cuidado ao tocar o universo do outro, a dor do outro e a beleza do outro.
Minha beleza e minha dor são caras para mim, não as divido com ninguém, exceto aos que são dotados de amor e cuidado, aos humildes, aos que sorriem, aos que seguram as mãos, aos que não esquecem de lavar os olhos todas as manhãs para enxergar a vida, aos delicados.
De vocês, filhos do tempo da indelicadeza, não guardo mágoas e sim penas. Pena por vossa cegueira nauseante, por vossas palavras proferidas para humilhar, ofender e odiar, pena por vossa mutilação intelectual, por vossas mãos utilizadas para machucar, por vossos pés que caminham por trilhos cortantes e por vosso coração amputado à força e a frio.
A delicadeza pertence aos poucos, aos raros, aos gigantes, aos que ajudam, aos que escutam, aos que se importam, aos que amam e ainda se encantam.












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