sexta-feira, 18 de março de 2016

O amor e a serpente.

" A água com areia brinca na beira do mar
   A água passa e a areia fica no lugar.."



As palavras que saiam daquela boca eram doces e quentes, capazes de enganar o mais sábio e experiente coração, palavras passadas no açúcar e temperadas com canela, eram cheias de determinação, força e desejo. Palavras afirmativas, sempre no presente e com promessa de futuro. Uma pena ser ophioglosso. Depois de conquistado a presa, só restava um destino, a picada.
A picada era rápida, veloz, quente e rapidamente adormecia os sentidos da vítima. Aqueles olhos revelavam toda frieza após a picada fatal, a picada do gozo e do abandono.
José nunca fora amado na infância, foi parido feito bicho do mato, a mãe o alimentou e o aqueceu com panos que haviam na casa e não com seus longos calorosos braços maternos. Seus olhos procuraram por toda vida o olhar amoroso, libertador e consentido de sua parideira.
José cresceu com o que recebeu, como doar o que você nunca teve? Seus olhos escureceram de dor e fascinavam outros olhos pelo seu poder.
Era desafiador conquistar aqueles olhos e clareá-los pela luz do amor, mas a língua da serpente adormecida entre longos dentes tornara-se assustadoramente venenosa ao encontrar-se ameaçada pelo poder do amor. Não poderia tornar-se bom, não poderia entregar-se, não poderia renunciar ao poder e entregar-se ao amor, o qual seria o antídoto de seu veneno.
José resistia e escolhia o poder ao amor, o poder lhe dava autonomia enquanto o amor lhe provocava tormento e caos.
 
 
 
 
Essa história ainda não tem um final.




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