quarta-feira, 27 de abril de 2016


Não desperdicemos o tempo
Precioso e raro, instantes no espaço
Com amores vagos e rasos,
Intensidade é tudo que marca
Na carne os momentos de felicidade
Sejamos intensos.



(Mariana L. de Almeida)



Daqui agora.

Só me interessa o daqui agora
Não mais o que já foi embora
Deixando apenas vultos e sobras
Um legado de horas mortas
Silêncios abafados na porta
Tanta ausência e palavras mortas
Do que foi festa somente na hora.
Que entre agora por essa porta
E fique registrado na memória
Só o daqui agora, adiante, lá fora
Na nova vida plena de auroras.



(Mariana L. de Almeida)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Novo amor.


Um novo amor chegou
Não era hora
Não era certo
Chegar justamente agora.


Meu coração ainda tão dolorido
Do amor que antes perdi
Ainda não estou no meu melhor
Que quero te dar
Que quero te mostrar.


Enquanto isso seja você
Meu melhor amigo,
Meu melhor abrigo
Das noites que me assustam
Da solidão que me acompanha
Do meu medo da vida,
Mais que da morte.


Que seja lançada nossa sorte
Que nosso abraço seja laço
De delicadeza e desejo
De um amor semeado
E colhido em flores
Coloridas anunciando nova estação
Tempos de renascimento do coração.


(Mariana L. de Almeida)



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Daquelas coincidências da vida.

De alguma forma ainda existia um fio de seda que nos permanecera unidos, era uma saudade distante, uma música, uma história, uma risada que nos manterá vivos na lembrança, uma lembrança sem maldade, apesar dos pesares.
Passou o tempo, como impiedosamente sempre passa, a vida seguia seu rumo preparando novas voltas. Joana preparava minuciosamente cada detalhe dos próximos 14 dias em que finalmente estaria em férias, pois, precisava descansar, estava estafada sofrendo de um bloqueio mental que a impedia de escrever novas histórias, faltava inspiração, criatividade e tesão para escrever, mas como escritora que era, precisava produzir!
Nada como um ambiente bucólico com montanhas e praias fora de temporada para relaxar e dar uma nova carga em sua bateria mental. Esses últimos meses foram estressantes para Jô, mudança de casa, filhos, livros, cachorros e mil contas para pagar...Viveu uma paixão, mas viveu sozinha, no final levou um fora! Doeu.
Coisas que vão acumulando aqui e ali e o corpo acaba sentindo, pegou uma gripe daquelas, cama e febre, possivelmente era a dor da rejeição, aquela que vem, judia e passa... Sim, sempre passa e dela renascemos.
Os dias no litoral estavam deliciosos, calor durante o dia e friozinho a noite, excelente para curtir um bom vinho tinto embalada por uma rede aconchegante que a fazia refletir e passar a limpo as emoções dos últimos acontecimentos, analisou suas histórias sob outras perspectivas, enxergou com outros olhos, perdoou o que tinha que ser perdoado e finalmente estava pronta para ser feliz novamente e escrever novas crônicas sobre nosso dia-dia desvairado.
No próximo dia acordou com ótimo humor, algumas novas histórias começavam a se formar e criar vida, anotava todas ideias no bloco de notas do celular. Foi passar o dia na praia com a família, tomou uma batida de maracujá deliciosa, fez caminhada, tomou sol e nadou muito. A praia estava com poucos turistas, uma barraquinha apenas de bebidas e porções, uma carrinho de sorvete que passava de vez em quando, pois atravessava de uma ponta à outra da praia.
À noite Jô foi para o centro da cidade com sua mãe e sua filha, queriam tomar um chopp no centro histórico, comer uma porção, ver gente bonita, enfim, passear. A noite estava agradabilíssima com música ao vivo, brisa do mar, todas rindo enquanto curtiam o chopp, quando de repente, Jô observa a duas mesas da dela o seu ex, sozinho sentado bebendo. Ela não podia acreditar, queria que um buraco se abrisse no chão para desaparecer dali rapidamente, pensou em sair correndo, queria morrer na verdade de tanta raiva e aflição... Se precisasse ir ao banheiro ou mesmo se quisesse ir embora, precisaria passar pela mesa dele e seria ridículo fingir que não o viu, e se o visse de frente também seria ridículo, afinal, o que dizer quando não há o que dizer? Jô começou a suar frio e pensar coisas ainda piores, claro que ele não deveria estar sozinho, sua acompanhante deveria estar vindo ou deveria estar na toalete, logo se sentaria à mesa com ele e ambos poderiam rir por toda eternidade dela, pensava Jô, nitidamente alterada. A mãe de Jô percebeu sua aflição, afinal sua pele mudou de cor, toda aquele alegria contagiante desaparecera e perguntou desesperada e em alto tom, como boa italiana que era: "O que foi Jô, parece que viu assombração? O que aconteceu minha filha?"
- "Mãe, fala baixo pelo amor dos deuses! Xiuu, eu quero desaparecer daqui! Você não pode imaginar quem está aqui!"
- "Aqui onde Jô?? Quem??" a mãe falava ainda mais alto.
Jô já estava quase debaixo da mesa, quando o garçom chegou à mesa para entregar um papel para ela e disse: "Sra. o rapaz da mesa ao lado pediu para entregar a você. Aproveitando, desejam algo mais?"
- "Sim, mais 2 chopps!" respondeu ofegante e tensa com o papel em mãos. Beber seria preciso, independente do que pudesse acontecer dali para frente.
- "Não vai ler? Ande abra logo esse papel!" disse a filha de Jô, animadíssima com o bilhete e com todo desespero de sua mãe. Esses adolescentes são realmente sádicos, pensou Jô e disse:
-"Não acredito que ele mandou um bilhete pelo garçom, no mínimo está observando cada gesto meu e toda euforia de vocês, que horror, não sei o que fazer. Devo ler e pronto, afinal sou adulta, só preciso manter a calma e ser educada independente da situação".
Jô respirou fundo, tomou um gole de chopp e delicadamente abriu o bilhete escrito em guardanapo de mesa que dizia: " Olá mujer bonita, su sorriso lindo encanta me, soy argentino, primeira vez em Brasil, desculpa não sei bem português. Tim Tim. Ass: Jorge"
Por um momento sentiu um alívio imenso, aquela paixão mal resolvida em seu coração não seria reacendida, ele não estava dizendo no bilhete tudo que um dia ela imaginou e desejou... Não era dele o bilhete, era de outro homem de alguma mesa ao lado, era de outro homem de algum lugar do mundo, mas não era dele. Quase se sentiu triste, ainda alimentava um mínimo de esperança com seu ex, mas a realidade foi implacável lhe negando qualquer esperança e lhe apresentando novas possibilidades.
E foi assim com a ajuda do destino e do garçom que Jô olhou para a mesa da frente e encarou um dos sorrisos mais lindos que já viu, dentes brancos, lábios atraentes, barba e cabelos negros e um olhar de perder o fôlego, ele ergueu o copo de chopp a brindou no ar, Jô imediatamente repetiu o gesto e o saudou. Ambos sorriram.
Jô não procurou mais olhar para trás, decidiu deixar a vida correr também por conta dos acasos, das surpresas e do que pintasse. A vida é repleta de novas possibilidades e recomeços, basta compreender cada fase, cada ciclo para vivenciarmos e encerrarmos com sabedoria e coração tranquilo.
Um brinde à Jô e a todos nós que recomeçamos diariamente com luta e ternura.


(Mariana L. de Almeida).

















quinta-feira, 7 de abril de 2016

Não serei mais.

Não serei mais humilde
Não serei mais modesta
Não serei mais discreta...
Não serei mais o último arroz de festa.
Tanta polidez em vão
Tanta virtude, tanta erudição.
Não serei mais uma menina flor
Não brincarei mais com o que causa dor.
Agora vou me entregar
Ao extraordinário
Que é valorizado
Que é explorado
Que é de bom grado.
Serei uma menina mil
Cheia de artimanhas
Esperta como deve ser
Uma menina do Brasil.



(Mariana L. de Almeida)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Artes.

Nossa função é produzir belezas
Para compensar as tragédias
Mas, acima das belezas,
A verdade, sempre!
E esta está intimamente
Ligada às tragédias.




(Mariana L. de Almeida).