segunda-feira, 9 de maio de 2016

O filho que não fizemos.


O filho que não fizemos vive sempre ao meu lado
O filho que não fizemos gerou-se pela ausência
Nem sangue, nem veias, nem nada.
Gerou-se pelos ares, azares
Mas sussurra enquanto caminha ao meu lado
Nos acusando, de fato!
Aquela foda infeliz foi incapaz de gerar,
Semear vida e florir.
Aquela foda infeliz gerou somente rancor
Daquele encontro de pele e dor
Foram palavras expostas, promessas falsas
Um amor canalha que marca na alma como faca.
O filho que não fizemos fez-se por si só
E foi abandonado como lixo jogado no mato
Ainda que jogado sem ser fecundado
Pior que feto abortado, talhado
Insiste em crescer e viver ao meu lado.

(Mariana L. de Almeida).

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