segunda-feira, 27 de junho de 2016

Problemas.

E todos os problemas do mundo
Continuam exatamente iguais.
Meus problemas continuam todos
Exatamente como ontem, insolúveis
Como disse meu amado Drummond...
"Esse mundo não se resolve"
E eu não resolvo nunca
A desordem do meu nada.
Guardo as belezas que ganhei
Poetas, escritores, anjos e loucos
Quais a vida me brindou, e
Que decifram minhas palavras
E traduzem minha alma
Vocês fazem toda diferença
Para eu prosseguir aqui
Agradeço por vocês em minha vida
Amo e sou ressuscitada por este amor
Como quando estou prestes a cair
Como quando estou por um fio
À lançar voo abismo abaixo.



(Mariana Lima de Almeida)






quinta-feira, 16 de junho de 2016

Saudade.

                                                                                    (Para Gianfranco Lacaria)


Essa saudade ainda aqui mora
Essa saudade insiste e chora
Essa saudade não vai embora
Me visita nas piores horas
Enquanto uma música toca
Enquanto um café eu tomo
Enquanto leio outras histórias
Essa saudade não vai embora
Ameaça, mas sempre volta!
Aconteça o que acontecer
Você sempre será na minha vida
A saudade que eu gosto de ter.

Com amor,
(Mariana L. de Almeida)




sexta-feira, 10 de junho de 2016

Profana.





Tanto busquei aos deuses
Tantas súplicas e orações
Até poemas lhes ofereci
E nada!
Tentei lhes agradar de todas as formas
Fiz jejum, promessas, decorei salmos
Ofertei-lhes meu pão, bebi todo o vinho
Mas o que eu pedia os deuses nunca me deram
Ainda não sei o que fiz de errado
Ao ser expulsa assim do paraíso
Ainda menina meus pecados traí
Ao oferecer aos deuses minha inocência
Em troca de algum alento, desvelo.
Os deuses não sabem
Ao me negarem os céus
Abriram abrigo sem véus no meu coração.


(Mariana L. de Almeida).


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Criação.

Confesso que o momento da criação é o meu melhor e o meu pior momento, não sou eu quem decide por ele e sim é ele quem decide emergir, romper a barreira do subjetivo e explodir objetivamente.
Estou quieta quando sinto então os primeiros sintomas, sinto efeitos quase alucinógenos como palpitações, suor nas mãos, coração disparado, a pupila se dilata e como uma descarga elétrica vem aquela enxurrada de palavras e sensações desordenadas, é assim até o final.
Por vezes é difícil encontrar o bendito final, mas quando encontro ...ufa! É como se eu pudesse gritar para mim mesma: - "Nasceu!".
E é como um filho de verdade, não me pertence mais e sim ao mundo, aos leitores, aos famintos de poesia, aos loucos, aos marginais, aos degustadores de palavras, aos curiosos, aos críticos e a todos que buscam; porque há uma busca constante e a arte acontece justamente quando se dá esse encontro. Há uma busca quase instintiva do leitor e do escritor e quando acontece cria-se conexões, forma-se ligamentos que não se desfazem mais. Faz-se sentido.
Somente por isso valeu ter nascido e vivido neste mundo.







(Mariana L. de Almeida).

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sobre uma cilada: Março 2016.


Algumas pessoas invadem nossa vida sem percebermos tamanho desastre. Foi assim ao te conhecer, tantos amigos queridos em comum e você surgiu no meio deles, sempre gentil, gentil demais para dizer a verdade. Entrou no meio de conversas já iniciadas com a sua doce presença. A cada nova postagem lá estava você gentilmente com seu "like" e seu "emotion" bobo, eu confundindo o teu nível com os demais amigos e te recebi com todo carinho. Carinho esse que evoluiu para cantadas e declarações ousadas, contou lá suas histórias e eu banquei a otária ouvindo cada drama e acreditando em tal engano. Acreditei em cada palavra, brigaria com o mundo todo para provar que você não era falso nem mal intencionado, um homem sóbrio de valores nobres. Só não sabia que essa sobriedade se equilibrara sobre uma linha tênue de desequilíbrio e antidepressivos, uma crise de meia idade e um ego transtornado e eu a vítima perfeita. É claro que carrego minha culpa, acreditei e briguei por isso tudo e pior, depois tudo isso desapareceu, nunca existiu e parecia ser só minha imaginação me atestando demência permanente em frente ao espelho. Foram dias ruins, pesados e doloridos, mas não enlouqueci, guardei o que devia ser guardado para provar a mim mesma tudo o que foi real e que a estupidez não foi minha. Depois que voltei da minha dor me senti aliviada, talvez por isso escreva aqui, sempre senti enorme necessidade de gritar a verdade e exigir justiça. Você não era obrigado a me amar, claro, mas me tratar com dignidade sim porque eu sempre o tratei com respeito, principalmente nas questões mais delicadas como tua saúde, filhos, família, teus sentimentos e tudo que a mim você confiava. Me envolvi com tudo isso além do sentimento por você, pena que sua indelicadeza e insensibilidade jamais o deixariam perceber. A ideia de que sua vida seguia normalmente como se nada tivesse acontecido me deixou doente e não me refiro aos dois finais de semana que passamos juntos ou por ter te apresentado minha filha e meu endereço e sim aos meses que nos confessávamos quase que diariamente, todas as conversas, desejos, planos, enfim... Me bloqueou como se eu fosse uma qualquer, como uma golpista que o tivesse usado de alguma forma, como se eu me vendesse por um jantar de merda e noites de insônia num hotel da cidade. Seu narcisismo, seu ego transtornado, seu medo de amar e ser livre me atingiram em cheio, baby.
Eu finalmente entendi que você é mais infeliz que eu. Senti pena do meu sofrimento inútil porque eu não deveria sofrer jamais por ser deixada por alguém como você, deveria me sentir agradecida por poder seguir minha vida em plena paz, mas minha dor foi por eu ter me revelado tanto para você, te confiei quem eu sou, você viu meus olhos tristes e não os verá nunca mais porque você não é digno deles nem de tudo que eles já viram nessa vida. Não tive má fé em nenhum momento, se fui ingênua ou boba é porque sou boa demais para o mundo de homens como você.
Depois de toda escuridão, volta a luz e eu voltei melhor do que era antes.
Adeus.

(Mariana de Almeida).




 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A Poesia.



Há os que buscam a religião
Há os que buscam os amigos
Há os que buscam os amantes
Há os que buscam os bares,
Há os que buscam os milagres
Mas eu não busco nada.
Eu não colho mais absolvição
Eu não colho mais ingratidão
Eu não colho mais solidão
Eu não colho mais olhares
Eu não colho mais falsos milagres
Eu colho a poesia, ignorada,
Deixada no canto do chão
Daqueles que passam e vão
Em vão?


(Mariana L. de Almeida)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Sonho.


   As vezes eu sonho com você e não é quando eu quero e sim quando sem mais ou menos acontece. As vezes eu precisava tanto falar com você que ao deitar lhe dedico mil preces pedindo que venha a noite me visitar. Eu preciso confessar, pode ser terrível eu sei, mas os mortos aparecem e você as vezes aparece para mim. Pois bem, essa noite você veio no meio de uma confusão, as pessoas transitavam sem parar ao nosso redor, falavam alto e gesticulavam, cada qual com suas histórias e anseios. Você caminhava depressa e eu tentava te alcançar, meu coração doía apertado, você olhava para trás e me sorria, aí como doía cada sorriso seu. Aquelas pessoas todas do nosso pequeno mundo atrapalhavam nossa discussão, enquanto você apertava o passo e o tempo tão incerto, outono mais parecido com inverno, um vento gelado que machucava a pele, meus lábios estavam rachados e a língua ao tocar o canto da boca sentia o gosto de sangue.
   No meio da nossa conversa, entre pessoas passando, apareceu um semáforo com a luz vermelha piscando, você parou e segurou forte minha mão, a sua estava quentinha e me trouxe alívio imediato, ficaria o resto da vida alí aguardo o sinal verde do semáforo abrir.
  Nos olhamos com ternura, sorrimos, depois gargalhamos e depois ainda de tanto rir nos contemplamos num profundo silêncio.
    O sinal abriu e voltamos a caminhar depressa, as pessoas também, eu queria te contar com calma todas as novidades do novo trabalho, do livro, da viagem, de como te rever estava sendo maravilhoso... eu queria tanto te agradecer!
    Infelizmente a pressa, a rua, o barulho dos carros e motos, a velocidade, o vento que aumentava e uma neblina terrível que se formou na rua onde minha visão foi perdendo o foco e a nitidez, senti um imenso abismo se abrir em meu peito, pois sabia que não te veria mais. Senti dedo por dedo escapar de sua mão, um por um foi escorregando enquanto você aumentava o passo e eu num desespero sufocante não consegui gritar seu nome pedindo um último olhar. Você se foi sem pestanejar, sumiu na neblina e eu acordei encharcada de suor e lágrimas de alívio e saudade. Eram quatro horas da manhã, o vento lá fora uivava, fechei bem a janela e voltei para a cama pensando que na verdade os mortos continuam bem vivos dentro de cada um de nós.




(Mariana L. de Almeida).