segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As noites da cidade.





As noites no centro das cidades
São sempre tristes com suas ruas sujas
Poças d'água encardidas de carbono
Lama, cuspe, mijo e burocracias
Do dia que passou.
Não me iludo, as noites daqui
São tão sujas quantos as de Paris,
Nova Iorque, Marrakech e Milão.
Noites que fedem a perfume barato,
Cigarros, bebidas, catarro e sexo.



As putas do centro da cidade
São exatamente as mesmas
De qualquer lugar do mundo
A maioria delas é filha de alguém
E a maioria delas é mãe de alguém
E a maioria delas é mulher de alguém
E a maioria delas paga contas ao amanhecer
E a maioria delas toma café e porrada
Num bar miserável da cidade.
É preciso sempre encarar a volta
Algum buraco do mundo deve ser sua casa
Algum buraco do mundo guarda suas histórias
Algum buraco do mundo esconde toda a verdade.


Eu nessa hora de insônia
Penso nas putas da General Carneiro
Penso nas putas da Paulista, da Tijuca
De Manhattan e de New Orleans
Gostaria que elas soubessem
Que alguém desse planeta absurdo
Está pensando nelas.... No frio,
No açoite, na coca, no medo, nos caras que chegam.
Jogo minha bituca pela janela
Observo a brasa se despedaçar ao chão
Não sinto culpa, ajudo foder o mundo
Denuncio nossa maldade
Traduzo para você
O que a noite não revelou.


(Mariana de Almeida)
Imagem: Uma rua de Amsterdam.




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