sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A crise da segunda idade.

    Sim, eu descobri que ela existe! Até os 30 anos nossa vida segue um ritmo maluco e cheio de disposição: trabalhamos, fazemos faculdade, namoramos, saímos para diversas atividades noturnas, acordamos cedo sem reclamar, muitas de nós se casam, têm filhos e cuidam de tudo isso numa boa ou quase numa boa. Entre uns gritos aqui e outros lá vamos vivendo esse turbilhão de emoções e estresse da vida moderna.
   Mas depois dos 30 anos algumas coisas começam a mudar: a paciência diminui, as contas para pagar aumentam, o casamento vira um porre, os amigos casados se tornam caretas e parecem aqueles casais felizes de propaganda de margarina, os solteiros estão viajando, escalando o Monte Everest, com as roupas e estilos transados enquanto você está em algum canto desse planeta sentada no sofá de sua casa olhando a enorme bagunça ao seu redor e se questionando o que aconteceu com você. Cadê aquela garota super cabeça, politizada e cheia de atitude de anos atrás? Agora ela não tem tempo para ler mais nada, nem responder um e-mail sequer. Estamos sempre atrasadas, com os cabelos presos e as unhas por fazer enquanto as capas de revistas nos deprimem insinuando como nunca seremos: lindas, loiras, ricas, equilibradas e super realizadas!
   Estamos vivendo um caos emocional, questionando a vida quando nos deparamos em frente ao espelho com pequenas rugas ao redor dos olhos enquanto sorrimos, então, colocamos um anti-rugas caríssimo na lista de prioridades, vamos à farmácia, compramos, usamos uma semana religiosamente e depois nunca mais abrimos aquele potinho que custou nossa alma, esquecemos simplesmente, pois o cansaço vence.
   Outro dia enquanto discutia meu saldo com meu gerente do banco, descobri um fio de cabelo branco e entendi que o tempo está passando rápido demais e que meu saldo bancário continuará devedor por muito tempo. "Esse mundo não se resolve" já dizia meu amado poeta Drummond. Por que justo eu tenho que resolver tudo?
   Então é isso, você já passou dos 35 anos e não é mais jovem, mas também não é velha. Gosta de coisas boas, valoriza muito mais qualidade que quantidade, pensa duas vezes antes de sair de casa para uma noitada, cansa do papel exaustivo de mãe mas sente saudades quando vão passar o final de semana com o pai. E os temíveis 40 anos não estão mais distantes, estão aqui pertinho.
   É assim, a crise da segunda idade acontece num dia entre abril e maio em um ponto qualquer dos seus 37 anos. Os filhos estão amadurecendo e criticando todos os seus atos, aqueles pequenos porquês de tudo evoluem rápido para porquês cada vez mais complexos nos colocando em xeque mate, nos colocando à prova de todos nossos valores e verdades. Eles questionam, reivindicam e eu aprendo cada dia mais. Eles aprendem ser filhos e eu aprendo a ser mãe, ninguém nasce sabendo essas coisas. Nos olhamos nos olhos, rimos, choramos e dizemos a verdade sempre. Negociamos a TV, o computador e a Netflix;  nem sempre é fácil manter a democracia dentro de casa, é um exercício diário de tolerância e amor, caso contrário, iríamos querer o impeachment um do outro rapidinho.
   Depois de quase 10 anos de sedentarismo eis que retorno às atividades físicas, caminhar, nadar e até tentar correr. Também comecei a ler e pesquisar sobre diversos alimentos funcionais, gordura trans, grãos, farinha integral e estou aprendendo muitas coisas novas para contribuírem para minha saúde.
   A crise da segunda idade existe, ela é real e posso defini-la com a despedida da juventude e a entrada à uma nova fase onde alguns chamam de idade da loba que é associada ao ápice da mulher tanto em sua maturidade, sexualidade e carreia. Tomara mesmo. Crises existências sempre existiram e sempre existirão e são importantes para nossa evolução e amadurecimento, mas espero que ao chegar na idade da loba, minha Loba interna viva sua plenitude e que meus desejos reais sejam realizados e eu encontre o êxtase e a paz de viver com sabedoria mais uma etapa da vida.


(Mariana L. de Almeida)

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