quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sobre escrever.

Escrever é preciso, ser lido já é outra coisa
Escrever é necessidade, impulso, grito
Ser lido é invasão, dedo na cara, condenação
Julgam o que não sentem
Condenam o que não entendem
É assim na vida
É assim na política
É assim na literatura.
Que me importa se meu sangue é diferente do teu?
Meu sangue tem oxigênio, hemácias, delícias e venenos
Meu sangue não se aquieta nem se esfria, ferve
Meu sangue me arde por dentro, irriga meu corpo
E inutilmente quero parir palavras
Sou grávida de sentimentos, revolta e caos.
Quero parar o mundo, vencer o medo e matar o mal
Mas é o mal quem me mata, é ele quem sempre vence
Eu só tenho meu sangue carregado de versos
E desejos febris por flores amarelas e vermelhas
Semeio em jardins inférteis, insisto.
Não desisto de um dia ver uma rosa se abrir
Mesmo certa de que seus espinhos tirarão meu sangue
Gota por gota até secar toda poesia.


(Mariana L.de Almeida).





2 comentários:

  1. Lindo. Também adoro parir palavras, estar grávida de poesias. Parabéns. Amei. Abraços, Carla Vilaça

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  2. Obrigada Carla! Seja sempre bem vinda.
    Beijos.

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