quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Maria.

Ah Maria,
Teu nome perdido entre tantas estrelas
Teu sonho vendido entre restos de feira
Tua vida lograda entre tantas portas erradas.

Ah Maria,
Você que foi em vida tão doce menina
Não merecia tanta punição e castigo
Por entregar-se sem pudores à poesia.
Rasgar-te as roupas em plena noite
Romper os véus depois dos açoites
Gozar o corpo depois do amor
Pagou teus sonhos com tua mais profunda dor.

Ah Maria,
Há de ser a morte a recompensa dos teus dias
Há de ser a morte uma tarde que nunca se finda
Há de ser a morte o descanso de tua cólera e ira
Pagaste Maria, Pagaste nota por nota
Por cada riso e por cada flor
Encerraste a conta, fechaste a cota
Descansa Maria, não deves nada
És livre, és leve como o beija flor.

Ah Maria,
Não mais sustentará as pernas do mundo
Com tua poesia que denuncia toda dor
Ouça o silêncio Maria, apenas ouça
É o silêncio que buscava em tuas noites insones
Agora será o silêncio que te embalará
Para toda a eternidade, noite após noite.
Descansa, Maria.

(Mariana L. de Almeida)
Imagem: Klimt.



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