sábado, 29 de abril de 2017

O texto perfeito insiste e nunca sai, ele incita, excita, transborda e brocha...
Perfeito caso de amor que termina em ódio.
As palavras fervem nesse caldeirão de ideias desconexas, um abismo de medo e futuro, um desejo insano de justiça que nunca houve nem nunca haverá.
Ser poeta é ver o homem marchar em busca do amor, mas sabendo que a marcha oprime e o sonho agoniza em praça pública entre homens e canhões.

(Mariana de Almeida).

Greve Geral.

A vida
Ora aguda, ora grave
As vezes faz greve
Ora de fome, ora de sexo
Ora de sangue
Se preciso for!
Lute pela vida
Que merece ser vivida!

(Mariana de Almeida).

Nosso lembrança do passado
Morreu ao sonho do futuro;
Nosso jardim floresceu
Em meio a secura do sertão;
Nosso coração bateu de novo
Desfibrilador do amor
Quem nos ressuscitou.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mariana.

As vezes sou teu mar... as vezes sou teu chão
As vezes sou tua bússola... as vezes perdição
As vezes selvagem como mata fechada
As vezes mansa como um final de tarde
As vezes lua cheia e maré alta
Que invade e tudo arrasta
As vezes só areia branca que acariciam os pés
As vezes molhada como uma canção de amor
Gotas de notas musicais que exalam da paixão
As vezes um enxame de vagalumes repleta de luz
As vezes escuridão da noite e solidão
As vezes exata como as pontas de uma mandala
As vezes satélite suspenso no céu
As vezes mulher que tudo quer...
As vezes menina... as vezes serpente...
As vezes vinho e sexo... as vezes café e colo...
As vezes silêncio... as vezes arrastão...
As vezes sozinha... as vezes segurando a sua mão...
As vezes beijos... Outras vezes também...
As vezes Mariana... outra vezes O Mar e Ana...
Sou o teu melhor poema... sou o teu amor.


(Mariana de Almeida e Ricardo Ruiz).

Escravo.

"Que eu saiba a vida é minha!
  Que eu saiba a casa é minha!
  Que eu saiba o carro é meu!
  Que eu saiba eu sou livre!
  Que eu saiba eu faço o que quiser!...
  Que eu saiba eu sei de tudo!
  Que eu saiba eu sou o máximo!
  Que eu saiba eu sou feliz!"



- Sorry, perdeu Man!
  Que eu saiba tu não tá ligado
  Que não passas de mais um escravo!


(Mariana de Almeida).

Aline.

Quem a via desfilando por aí, estereótipo perfeito de menina feliz, bonitinha e arrumadinha como diziam, cabelos e olhos cor de mel e uma íris que irradiava cores e dores sem nomes... Essa gente do mundo que adora perguntas idiotas do tipo: "Mas por que você está triste?" Ou "Por que uma moça tão bonita como você está tão tristinha?". Esse tipo de pergunta que acelera e muito o desejo de morrer definitivamentea, pois, a humanidade é uma filha da puta cínica e canalha e tudo o que se esperar dela resultará em sofrimento. Então... faça você mesmo o seu mundo e suas regras ou morra!
Aline ainda não sabia reagir, a sua educação castradora, religiosa e machista a ensinaram calar diante de todo tipo de sofrimento. Ela era capaz de fazer dietas mirabolantes e ficar dias sem comer, adorava se desafiar perante o espelho e quando comia algo prazeiroso demais corria ao banheiro e metia dois dedos no fundo da garganta e vomitava até sua bílis, o ritual nojento e sofrido lhe dava algum prazer por ter vencido e vencer é bom, vencer uma competição contra si mesmo é orgasmático, é como uma trepada fenomenal, é como uma carreira de coca da boa.
Aline era bulímica, anêmica, depressiva e mais... se auto mutilava! Chegava a criar desenhos na sua pele com os cortes que fazia. Tudo começou quando se cortou com a gilete no banho enquanto depilava sua perna longa e magra, o sangue jorrava pelo piso do box e escorria pelo ralo, foi uma dor agradável para ela e assim começaram os primeiros episódios de cortes. Ela preferia assim, passava horas trancada no banheiro se machucando enquanto as outras garotas da sua idade estavam fazendo compras em shoppings centers, namorando, ouvindo bandas ou fazedo qualquer outra coisa mais interessante. Aline se odiava, se achava burra e esquisita demais para ser uma garota normal e abrir a porta do quarto e da casa para finalmente sair em busca da sua felicidade.
Aline não esquecia o episódio em que foi estuprada pelo primo aos oito anos de idade e mais de uma vez... A família ao descobrir preferiu evitar um escândalo, então mudaram-se de cidade para se afastar do criminoso e fazer com que Aline esquecesse o inesquecível.
Com os anos a família parecia ter apagado da memória o estupro da Aline, mas ela não esqueceu nem um só dia o horror vivido, a lembrança da cara, dos dentes amarelados e dos olhos insanos do primo que a deflorou sem pena... Quanto mais ela chorava, mais ele gostava.
Psicopatas estão aí aos montes, hoje o primo é um advogado formado e bem sucedido. Muito bem vestido, carro importado, bons contatos e muitas mulheres atrás dele, mas o que ninguém sabe é que ele é um pervertido, um pedófilo e um excelente ator perante a sociedade.
Os pais de Aline não sabiam mais o que fazer para ela ter uma vida normal, levaram ao psicólogo milhares de vezes, colocaram para fazer aula de ballet, violão, natação, canto, idiomas e nada, Aline desistia de tudo, odiava a si mesmo e aos demais. Até que um dia brincando de desenhar com os cortes na perna, acabou perfurando uma veia safena e perdeu muito sangue.
Aline foi levada às pressas para o pronto socorro mais próximo e de lá para o hospital psiquiátrico onde vive há mais de um ano e sem nenhuma previsão de alta.
Aline morreu aos oito anos de idade quando foi violentada e ameaçada por alguém da sua própria família, o que sobrou foi um corpo pesado demais para se carregar. Hoje, aos 17 anos o corpo ainda respira, enquanto o primo desfila o homem de bem e de sucesso que se tornou, homem de prestígio em nossa sociedade.


(Mariana de Almeida).


#Estupro No Brasil acontece um estupro a casa onze minutos!!!! (Fonte: Carta Capital).