quinta-feira, 29 de junho de 2017

Top.

   Existe alguns tipos de pessoas totalmente dispensáveis, especialmente aquelas que fazem sempre o mesmo tipo de comentário, seja qual for o assunto. É o tipo "simpático-idiota" que curte todas as fotos e publicações de uma rede social com um único comentário do tipo "Top".
   A pessoa não é dotada de nenhuma profundidade em nenhum assunto ou opinião, além de ser o típico idiota, é quase sempre o perfeito machistinha retardado que curte todas as fotos das amigas e comenta orgulhoso:"Top".
   Lê uma crítica de alguém sobre qualquer assunto e comenta: "Top".
   Vê uma receita de bolo inglês com cobertura de chocolate belga e comenta: "Top".
   Enfim, esse tipo de idiota é o retrato do brasileiro mediano e midiático, o infeliz vai conforme a maré das mídias o guiam, ele ama o artista que vende mais, ele odeia as minorias, ele defende sua própria escravidão, ele se orgulha de conseguir comprar um tênis ou celular de valor superior ao seu próprio salário, ele acredita em propagandas mirabolantes, ele objetifica a mulher e pior, ele se acha  um homem superior aos outros. Ele acha que está por dentro de tudo, conhece todos os suplementos proteicos disponíveis para quem frequenta academia, conhece várias marcas de cervejas, sabe as marca das melhores roupas e perfumes, mas não entende nada de evolucionismo, corpo humano ou liberalismo econômico.
   Ah, ele também acha que é o fodão do sexo, que seu pau é o melhor de todos e que quanto mais ele demorar para gozar,  melhor para a parceira! (risos). É o cidadão todo construído por falsos estereótipos.
   Infelizmente não é só o sexo masculino que pode se gabar dessa realidade, o que têm de mulheres que defendem seus algozes, que concordam com sua castração moral por parte dos seus companheiros, chefes e líderes religiosos, não está escrito nem nos piores gibis.  Tem muita mulher que não imagina o quanto está sendo usada e explorada pela sociedade, pela família, pela igreja e pelos políticos lacaios. Ela não faz ideia de como foi construída e da escravidão que é manter ou tentar atingir esse padrão de subserviência ao sistema castrador que a oprime do direito de questionar para formar suas próprias opiniões e desenvolver suas verdadeiras aptidões.
   Ela também não sabe comentar ou discutir nenhum assunto com profundidade, também gosta das músicas que vendem mais, das novelas que oprimem mais, das roupas que a exploram mais e sim, ela também participa e comenta tudo nas redes sociais com a gíria mais miserável que inventaram até agora, ela também comenta e diz: "Top!"
 
(Mariana de Almeida).
 
 
 

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