quarta-feira, 5 de julho de 2017

Só.

De todas as mentiras
Que não te contei
Você foi se apaixonar
Justo pela minha verdade
Nua, crua e cheia de sangue
Que tanto teimei em negar...
Minha intenção nunca foi te matar
Mas minha verdade é pura navalha
Que corta sem nenhuma contrição
Deixo o amor para quem sabe mentir
Sigo só afiando a lâmina da solidão.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Acabou.

Acabou daquela forma mais blasé
Impessoal, indiferente, insensível
Tanto faz a água da chuva que inunda a casa
Ou a alta do dólar que aumentam os lucros;

Tanto faz se é dia ou noite
Se veste azul ou cinza
Se ouve Mautner ou Tom Zé
Se bebe o tinto ou o branco;

Tanto faz quando se morre!


(Mariana de Almeida)
Foto: Rio de Janeiro, Copacabana, um dia frio.

Tempo da espera.

Quando repiquei os cabelos todos
Em frente ao espelho d'água
E vi meus pedaços caindo na poça
Sabia que não poderia voltar atrás
Era o tempo da espera que começara
Era o tempo das grandes podas
E minha alma passaria por este ciclo
Para seu solo, de novo, poder germinar
Fui menina, fui mulher e fui deusa
Minhas raízes e tubérculos cresceram
Agarram-se à Terra e gerei frutos
Fui mãe, fui rainha e fui mendiga
Dei, para o amor, tudo que não tinha
Agora, da morte, renasço mais jovem
Do tempo da espera, me aguardo ansiosa
A volta é sempre melhor que a ida
A volta nos dá gratidão e sabedoria
Na ida só levamos na mala a vaidade
Em frente ao espelho d'água
Pude me ver, de novo, uma menina.

(Mariana de Almeida).